Conhecida como a “vitamina do sol”, a vitamina D está muito presente na mídia atualmente.
A produção da vitamina D na pele é a principal fonte deste nutriente essencial para os humanos. O calciferol possui uma particularidade em relação às outras vitaminas: além de ser adquirida através dos alimentos, ela também pode ser produzida pelo nosso próprio organismo, através da exposição solar, portanto referida atualmente como o hormônio D.
O hormônio D pode ser resultado da conversão do ergocalciferol pelo fígado, através de alimentos ricos em ômega-3 como os peixes de águas profundas e linhaça.
No entanto, essa conversão não chega a ser suficiente para que o corpo produza os níveis ótimos do hormônio D. Assim, em muitos casos, a suplementação personalizada pode ser indicada a essas pessoas, o que não exclui a recomendação da exposição à luz solar.
A vitamina D sempre foi relacionada ao metabolismo do cálcio e à saúde óssea. Nos últimos anos, com a demonstração da existência de receptores da vitamina D em várias células do nosso organismo, novas ações da vitamina D foram descobertas, ampliando sua atuação da prevenção ao tratamento de várias doenças crônicas.
Destacam-se as seguintes ações da vitamina D não relacionadas ao metabolismo ósseo:
- Doenças cardiovasculares: vários estudos demonstram os efeitos da vitamina D na saúde cardiovascular, como no controle da hipertensão, função endotelial, diminuição da calcificação vascular e alteração do metabolismo dos lipídios.
- Pele: além de ser responsável pela produção da vitamina D no corpo, a pele apresenta vários receptores responsivos à vitamina D, induzindo genes necessários para diferenciação, supressão e proliferação celular na pele, além da regulação do ciclo do folículo piloso. A vitamina D parece apresentar efeito benéfico no tratamento da psoríase e da acne.
- Doenças autoimunes: o receptor de vitamina D foi descoberto em células do sistema imune, como células apresentadoras de antígenos, macrófagos e células T, evidenciando o provável papel da vitamina D nesse sistema. Sua ação na imunidade está altamente relacionada com a tolerância do sistema imune, impedindo que as células de defesa do organismo ataquem as células saudáveis e atuem apenas contra as invasoras.
- Diabetes: A deficiência de vitamina D pode aumentar a gravidade da doença e a sua suplementação melhora a secreção de insulina, a sensibilidade periférica à insulina e os níveis da hemoglobina glicada.
- Doenças Neurológicas: Estudos demonstram que a vitamina D atravessa a barreira hematoencefálica e vários receptores de vitamina D podem ser encontrados no cérebro, tanto em células neuronais quanto não neuronais, influenciando durante o período de desenvolvimento, a apoptose e o ciclo celular do desenvolvimento cerebral. Estudos recentes* mostram ação da vitamina D na remielinização de lesões presentes em doenças como a Esclerose Multipla.
- Câncer: Alguns estudos sugerem o aumento de 50% no risco do desenvolvimento de câncer de colon, próstata e de mama, em pessoas com deficiência de vitamina D.
- Doenças pulmonares: em asmáticos, estudos sugerem que níveis altos da vitamina D sejam associados a melhor função pulmonar e menos hiperreatividade brônquica.
- Musculatura esquelética: A deficiência da vitamina D foi associada à reduzida força muscular, capacidade de exercício e função muscular, principalmente com nível sérico inferior a 16 ng/mL.
- Gestação e placenta: a deficiência da vitamina D foi associada a pré-eclâmpsia, diabetes gestacional e vaginose bacteriana. Para o feto, estudos experimentais têm demonstrado que a deficiência da vitamina D está relacionada à malformação do sistema nervoso central, como o alargamento dos ventrículos laterais, redução do fator de crescimento do nervo e redução da expressão de vários genes envolvido na neurotransmissão e estrutura neuronal.
A observação das funções da vitamina D em vários órgãos e, inclusive, sua importância para o desenvolvimento do feto tornam de fundamental importância a investigação do seu estado nutricional em qualquer idade e garantir a ingestão da necessidade diária de vitamina D bem como o tratamento dos casos de deficiência.
Fonte*: Matías-Guíu, J et al. “Vitamin D and remyelination in multiple sclerosis.”(2018) doi:10.1016/j.nrl.2016.05.001

